Mostrando postagens com marcador bairros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bairros. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Como se escreve?

São milhares as palavras de origem tupi que contribuíram para o português brasileiro, especialmente para o léxico do mundo natural. Warren Dean (em "A ferro e fogo - a história e a devastação da Mata Atlântica brasileira") esclarece: dois terços dos nomes comuns das árvores deste bioma e praticamente todos os seus animais, além de inúmeras formações naturais - geológicas, edáficas e vegetais - e de acidentes geográficos - rios, montanhas, vales e estuários. A língua oral nativa foi grafada ao longo da história de diferentes maneiras pelos estudiosos, mas reformas ortográficas posteriores da língua portuguesa estabeleceram as regras de escrita. O problema é quando a palavra de origem tupi aparece escrita de várias formas ao mesmo tempo, confundindo o observador atento. Veja o exemplo de boaçu (?), nome de um bairro da cidade de São Gonçalo (RMRJ): nas placas da prefeitura boaçú é com ç e acento, enquanto que no comércio aparecem as outras formas possíveis (menos a da placa!): boaçu, boassu e boassú. Qual a maneira correta de escrever?

Veja o que dizem alguns autores:

Teodoro Sampaio (em "O Tupi na Geografia Nacional") escreve BOASSÚ, corruptela de Mboy-assú, a cobra grande, a serpente.

Alexandre Leontsinis (em "O Tupi - nossa linguagem ecológica") escreve BOAÇU, de Mbói+açu= a cobra grande.

Já irmão José Gregório (em "Contribuição indígena ao Brasil" (vol.3)) escreve Boiaçu (Boa+açu)= cobra grande, mãe d'água!

Interessante que a palavra que significa cobra também aparece escrita bóia, como em Araribóia (boia?) e jibóia (existe a jiboiaçu!).

Os livros foram escritos e editados em épocas distintas, o que explica essa confusão, mas também é possível que essas palavras tenham sobrevivido com grafias diferentes ao longo do tempo. Será o caso do bairro do Boaçu (antigos estabelecimentos comerciais e novos construídos entre reformas da escrita)? Leia algumas opiniões aqui.

Assim como muita gente não sabe ao certo como se escreve (inclusive eu) , muitos nem devem saber o significado do termo. Cobra grande poderia ser alusão a um rio comprido e sinuoso, pois um rio, o Imboassu (Rio da cobra grande?!), passa por lá. Geografias que se diluem e apagam na paisagem urbana degradada: o rio virou valão e a palavra perdeu a forma, o significado e o sentido.

Afinal, é gragoatá ou gravatá? Itacoatiara ou itaquatiara? Voçoroca ou boçoroca? Parati ou paraty?

.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Conhecendo o Morro do Castro (4)

Local conhecido como Caixa d'água do agreste, visitado por acaso em agosto por mim e pelo Professor Márcio guiados pelos alunos Édson (GR4A) e Anderson (GR3D). Eu e Márcio tínhamos ido à casa do Seu Zé - que cuida da Fazendinha e mora ali perto - quando encontramos com os dois alunos que sugeriram a ida à caixa d'água. Deste ponto se tem uma das maiores vistas de toda a região do Morro do Castro. Os alunos disseram que muita gente vai lá no Ano Novo para ver as queimas de fogos do Rio e de Niterói. Na foto do alto, uma vista parcial do Fonseca e Cubango onde aparece o prédio rosado da EMPF. Abaixo, o Professor Márcio com os alunos Anderson e Édson. Assistindo o vídeo tem-se uma noção básica do lugar e a visão que se tem de lá de cima (o dia estava um pouco nublado).




.

terça-feira, 8 de julho de 2008

domingo, 6 de julho de 2008

A novela da praça

Depois de completar um ano, a reforma da praça Leoni Ramos virou uma novela em São Domingos. Anunciada naquela época numa publicação de luxo com folhas grandes, grossas e coloridas, a reforma da praça fazia parte de um grande empreendimento para revitalização do centro de Niterói, e contava até com recursos do governo federal. Até hoje não foi concluída. Recentemente, estudantes da UFF pinturam os tapumes numa aula de arquitetura. Esses dias, a praça apareceu com parte do tapume derrubado, mais um protesto pelo atraso, evidenciando a obra inacabada que está virando símbolo do abandono da cidade.

Curiosamente, a praça inacabada fica no local onde existiu no passado o Palacete de D. João, um casarão que pertenceu e abrigou à família real nas suas visitas à Vila da Praia Grande, presente do proprietário comerciante Tomás Soares de Andrade ao monarca. Após a proclamação da república, muitos símbolos do império foram demolidos para apagar a memória da monarquia, e com eles o casarão de arquitetura colonial (foto abaixo, de 1904). Justamente no ano em que se comemoram os 200 anos da vinda da família real ao Brasil, a praça permanece destruída. Seria uma vingança dos monarcas à demolição do palacete?

Lá também a Câmara Municipal de Niterói realizou reuniões e assembléias, antes dele ser abandonado e se deteriorar. Meses atrás, na sede atual da Câmara, no Centro, numa exposição sobre a cidade na época do império (como parte das comemorações dos duzentos anos da vinda da família real), foi apresentada a maquete do casarão, e a idéia de se construir uma réplica na praça Leoni Ramos para funcionar a biblioteca municipal e sediar importantes instituções culturais da cidade. Se a reforma da praça completou um ano sem acabar, imagina a construção de um palacete de arquitetura colonial quanto tempo iria levar?

O comércio no entorno da praça perdeu 60% do movimento desde a colocação dos tapumes. O bairro, com seu casario antigo que já foi a parte nobre da cidade, se deteriora com o conjunto arquitetônico abandonado e suas funções urbanas desperdiçadas. São Domingos é um bairro histórico, cultural, turístico, boêmio, bonito e charmoso. Tem praça, tem igreja, tem estação, tem forte (já é Gragoatá, tudo bem, mas é por ali), tem arquitetura, tem paisagem. Hoje está vazio e largado. Merecia um tratamento muito mais especial por parte do poder público municipal. Afinal, São Domingos é a Lapa, a Urca, a Olinda de Niterói!


Acima, obras que não acabam: os dois prédios do Centro Petrobrás de Cinema, também atrasados. Abaixo, fachada de casarão que resiste ao tempo e igreja de São Domingos de Gusmão.



O projeto de reforma da Praça Leoni Ramos (clique na imagem para ampliar). Veja outras matérias sobre a reforma da praça aqui e aqui.

.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Conhecendo o Morro do Castro


Sexta-feira 6 de junho foi um dia muito especial para alunos das turmas GR3D e GR3E e alguns professores. Guiados pelo ex-aluno da E. M. João Brazil Baba, conhecido por todos no Morro do Castro, fizeram uma caminhada até o local conhecido como Monte de Oração, o ponto mais alto do morro, de onde se tem uma visão fantástica da região da Baía de Guanabara, que inclui a cidade de São Gonçalo, o Maciço da Tijuca e até a Serra do Mar. No caminho, passaram por lugares interessantes, como a Sereia, uma nascente de água sob uma grande pedra, protegida por uma mata. Neste dia, o fenômeno climático da inversão térmica, que forma uma densa camada de poluição sobre a cidade, limitou a visibilidade de alguns pontos, como a ponte Rio-Niterói e o mar. Nada que atrapalhasse a maravilhosa excursão, que proporcionou agradáveis momentos de interação entre as pessoas, o lugar e a natureza. Valeu Baba! Quando será a próxima?!



.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Cova da onça

Como era meu bairro antigamente?

Eu moro na estrada Bento Pestana nº 300, na Cova da Onça.
Uma moradora muito antiga daqui - D. Lizinha - sempre diz que aqui só tinha mato. Aqui tem uma jaqueira que ela diz que é centenária. Ela conta que a casa dela foi a primeira casa construída aqui e era de pau-a-pique, teve que abrir uma clareira no mato para fazer a casa. Ela disse que tinha bicho de tudo quanto era jeito, só nunca viu onça. Tinha muita cobra grande, hoje ainda tem, mas é pouca, e eu nunca vi. Tinha mico, aí depois eles sumiram por vários anos e agora voltaram a aparecer muitos, dá até para alimentá-los na mão. Quando minha mãe veio morar aqui, uns 25 anos atrás, a estrada principal era de chão de terra, o ônibus só ia até o Morro do Castro e tinha que vir andando até aqui. Não tinha luz, água, e tinha que carregar água de uma nascente na fazenda que tem até hoje ou comprar carro pipa. Ela conta também que tinha onça antes dela vir morar aqui mas ela nunca viu. Graças a Deus que quando eu nasci a Cova da Onça já era bem mais moderna e não tinha mais onça.

Texto de Matheus França de Oliveira - GR3H (E. M. João Brazil)


.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...