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quarta-feira, 23 de abril de 2014

A gente colhe o que planta (2?)


     Você sabia que a EMPF (Escola Municipal Paulo Freire, onde tudo começou) já teve uma hortinha? (Esta foi uma das primeiras matérias publicadas no blog, há 7 anos, em 20/04/07). Foi no ano de 2004 (10 anos se passaram!), e ficava nos fundos do terreno do prédio, por isso pouca gente conheceu (este espaço-lugar não existe mais e ficava onde é hoje a UPA do Fonseca). Não foi nada fácil mantê-la, pois era preciso carregar água (em garrafas pet) até o local para a rega das plantas, em épocas de estiagem (pouca chuva). Muitas vezes foi preciso dar a volta pelo portão da escola, e uma viagem não era suficiente para regar todas as mudinhas (que trabalho que dava!). Mesmo assim, a natureza ajudou bastante naquele ano e a hortinha resistiu até o fim das aulas. Foram cultivados tomates e alguns temperos como manjericão, salsinha e cebolinha, distribuídos para alguns funcionários após a colheita (infelizmente não há registros). Na foto (acima, dos últimos cultivos, não) vemos o professor Filipe de História junto ao canteiro (veja a foto e a matéria original clicando aqui!).  
Um comentário (foi feito, vindo de lá da EMPF meses depois):
Anônimo disse... Você é um grande exemplo de colher o que planta né Rogério?
Quem mandou querer dar uma de soberano?
Agora está aí se roendo por dentro porque não está mais na EMPF.
Mas não ligue, de repente Vander e Edna irão te fazer companhia ano que vem
hahahahahahahahahaha
(só pra sentir o clima!)

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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Geografia, segundo Francisco Portugal Neves


"Em conversa de macuco, pardal não pode se meter", diz o velho ditado. E quando o macuco na história é o professor Portugal Neves, mais de seis décadas de vida e quase quatro de exercício do magistério, nenhum pardal atreve-se a chegar na periferia: "Esta Reforma que estão pretendendo fazer é uma coisa que fiz há 35 anos, todos os meus alunos lembram-se perfeitamente dos meus métodos".

Sua concepção de ensino chega a contrastar com sua personalidade: um pouco rude nas palavras e nos gestos, gosta do máximo de disciplina e mostra-se um "brasileiro fanático" ("sempre fiz questão de que todos os meus alunos escrevessem Brasil e Deus com letras maiúsculas"), mas fica dócil ao lembrarseus alunos no Mosteiro de Campos, primeira escola onde lecionou.

Seus métodos logo o fizeram ficar conhecido e respeitado como professor de Geografia. Para ele, "o estudo da Geografia não pode ser feito em sala-de-aula e sim na própria terra". Durante os primeiros 15 anos de profissão fez várias excursões com suas turmas, e batalhava junto às autoridades os meios de transporte (navio e avião) e até mesmo estadia: "Os colégios de hoje devem fazer o mesmo, há mais condições atualmente, falta apenas ânimo aos professores e diretores".

Uma de suas aulas mais importantes aconteceu na Ilha de Marajó, para estudantes fluminenses ("o Newton Freire fazia parte dessa turma" - lembra ele"). Conta que a ilha possui 33 quilômetros quadrados de largura, "a gente diz isso em aula, mas não acredita, o fato é que Marajó é maior que o Estado do Rio. E continua: "O rio Amazonas tem 6 mil ilhas e 1.000 afluentes. Olha, a gente pode ver nas Guianas a estrela polar, que guiou os fenícios, é uma coisa linda que pouca gente conhece".

O professor Portugal Neves diz que "não adianta falar muito, o negócio é levar os meninos até lá para verem de perto o que é esse monstro chamado Brasil". Confessa-se um "nacionalista radical" que, certa vez, rejeitou um convite para ir à Europa só porque ainda não conhecia os Estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso. E quando conheceu preparou-se para ir estudar os Incas, na Bolívia, "depois então é que dei chance aos europeus de pisar na terrinha deles". Quando fala do Brasil ele não tem medo de chegar ao exagero: "Já contei para estrangeiros que índio da Amazônia pesca com arpão feito do aço de Volta Redonda, o melhor aço do mundo". E foi para um estrangeiro que não acreditou na conversa, entre ele e um boiadeiro sobre a "bravura do brasileiro", que o professor Neves disse: "Num papo de macuco, pardal nunca se mete, chega pra lá..."

Recentemente ele recebeu um convite para dirigir o Ginásio de Casimiro de Abreu, mas sua saúde o impediu de aceitar a proposição. Daí em diante passou a observar os colégios atuais mais de perto e chegou a uma triste conclusão: "Se não houver dinâmica, a Reforma nunca vai existir; a aula principal de Geografia, por exemplo, é fora da classe, lá dentro é só conversa".

O Fluminense, 27/04/1973. Caderno Encontro, página 7.

"A aula principal de Geografia é fora da classe, lá dentro é só conversa".
Alunos da EMJB no Monte da Oração, Morro do Castro, São Gonçalo (RJ), hoje, 22/08/2012.

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domingo, 29 de abril de 2012

O Fluminense 22 e 23/04/12

Matéria publicada na edição de domingo e segunda passados fala do projeto Trilhas da JB. Clique na imagem para ampliar ou acesse a edição online aqui!
 

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sábado, 1 de outubro de 2011

João Brazil (da série educadores de Niterói)


Ruínas do casarão onde funcionou o Colégio Brasil, fundado em 1902 por João Pereira da Silva em Itaocara e depois transferido para Niterói, onde durou até 1985. O que restou dele - ainda há quadro negro em sala - fica hoje no terreno do condomínio Solar do Barão (a construção do século XIX foi residência do barão de Icaraí) na rua João Brasil, próximo à Alameda São Boaventura, no Fonseca.

"A educação tem que oferecer o braço sempre à instrução". João Pereira da Silva, o João Brazil, nasceu em Nova Friburgo (RJ), em 12 de fevereiro de 1874. Começou a lecionar aos 15 anos e foi fundador e diretor do Colégio Brazil, além de empresário, poeta e benemérito de várias instituições. Faleceu em Niterói, em 6 de maio de 1940.

Há uma pequena confusão sobre a grafia certa do nome, pois em Niterói existe, além da escola, a rua, com 's'. Parece que o Brazil com 'z' foi substituído pelo atual numa reforma ortográfica na década de 40, após a morte do educador. A escola, no entanto, mantém a grafia original desde o final da década de 70, quando foi fundada no Morro do Castro.

Pra mim, o que importa é que o João tinha 14 anos nessa época...

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Cena rara



Matéria publicada pelo Prof. Declev no seu blog Diário do Professor (informações docentes, discentes e decentes). Muito interessante o vídeo!

"Sim, alguém defende os professores...

Pois é, parece uma cena rara. E é.

Então aproveitem.

Nem vou comentar aqui o teor do discurso, pois ele já diz tudo.

Absurdo.

O detalhe é que somos – os professores – tantos, que poderíamos ter uma força política enorme.

Poderíamos colocar e retirar um presidente.

E por que não fazemos?"


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sábado, 7 de junho de 2008

Cidadania e meio ambiente

O professor francês Pierre Crapez, mais brasileiro do que muita gente, deu uma aula diferente para alunos do 1° período do curso de Arquitetura da Universidade Federal Fluminense (UFF). Eles receberam a tarefa de pintar desenhos e frases nos tapumes que circundam a Praça Leoni Ramos, em São Domingos. Foi um ato público - ou uma aula protesto - contra a demora na conclusão das obras de revitalização do local, que completam um ano neste mês (saiba mais aqui). Segundo o jornal O Fluminense, que publicou uma matéria sobre o acontecimento na semana passada, o professor explicou que os alunos não podem ficar parados diante de projetos arquitetônicos estagnados e precisam interagir com a cidade: "O Brasil está muito conservador. As pessoas têm medo de se expressar. Eu, que vivi a geração de 1968, em Paris, não consigo entender este receio de se viver os sonhos. Trouxe os alunos para a praça porque é um ambiente com o qual eles conviviam diariamente e querem voltar a desfrutar. Eles estão trazendo arte e vida a um lugar abandonado. Mais do que uma aula de arquitetura é uma aula de cidadania".
Parabéns Professor!


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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Eu lecionei a todos eles

Tenho ensinado, no ginásio, por dez anos. Durante esse tempo, eu lecionei, entre outros, a um assassino, a um evangelista, a um pugilista, a um ladrão e a um imbecil.
O assassino era um menino que sentava no lugar da frente e me olhava com seus olhos azuis; o evangelista era o mais popular da escola, era o líder dos jogos entre os mais velhos; o pugilista ficava parado perto da janela e, de vez em quando, soltava uma gargalhada abafada que até fazia tremer os gerâneos; o ladrão era um coração alegre, diria libertino, um pequenito animal de olhar macio, dócil, procurando as sombras.
O assassino espera, hoje, a morte numa penitenciária do Estado; o evangelista está enterrado, há um ano, no cemitério da Vila; o pugilista perdeu um olho numa briga, em Hong Kong; o ladrão, na ponta dos pés, pode ver, da prisão, as janelas do meu quarto; o imbecil, de olhar macio, bate com a cabeça na parede formada de uma cela, no Asilo Municipal.
Todos eles, um dia, sentaram em minha aula; sentaram e olharam para mim, gravemente, desde as suas carteiras escuras e usadas.
Eu devo ter sido uma grande ajuda para esses alunos.
Eu lhes ensinei o esquema da rima dos sonetos elizabetanos e como colocar em diagrama uma sentença completa...

Texto de M. John White (traduzido e adaptado por Maria Aldina Silveira Furtado).

Foto: alunos de uma escola em Ghandrung, Nepal (clique na imagem para ampliar).

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domingo, 10 de fevereiro de 2008

O professor está sempre errado, quando...

... é jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia".
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um "caxias".
Precisa faltar, é um "turista".
Conversa com os outros professores, está malhando os alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó dos alunos.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um "chato".
Chama à atenção, é um "grosso".
Não chama à atenção, não sabe se impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as chances do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala corretamente, ninguém entende.
Fala a "língüa" do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é reprovado, é perseguição.
O aluno é aprovado, "deu mole".
É, o professor está sempre errado, mas...
Se você conseguiu ler até aqui, agradeça a ele!

Autor desconhecido. O texto é um daqueles que se recebe todo ano no dia dos professores, nas escolas em que se trabalha. Ganhei, gostei e guardei. Reproduzo aqui em homenagem a todos aqueles que começam amanhã mais um ano letivo, cheio de batalhas, buscando sempre superar as dificuldades da profissão e levar o melhor para os seus alunos.

Foto: professores dando aula ao ar livre numa escola em Ghorepani, Nepal (clique na imagem para ampliar).


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