sábado, 8 de agosto de 2009

Em volta da EMJB*

O trecho da carta topográfica Baía de Guanabara (1:50.000) mostra a localização exata da Escola Municipal João Brazil (ponto verde). A área rosa representa o espaço urbanizado, enquanto as áreas brancas (onde aparecem as curvas de nível) representam os morros. As manchas verdes claras são os fragmentos de vegetação. As fotos abaixo foram tiradas no caminho das torres que, no mapa, fica onde está escrito Morro do Castro.

Acima, a visão para sudoeste: em primeiro plano o bairro do Fonseca, ao fundo o pico da Tijuca - o mais alto da região metropolitana (1.021 metros) - e no meio o mar da baía separando os centros das cidades de Niterói e Rio de Janeiro. Observando com atenção (e ampliando a imagem) é possível perceber à direita a torre branca da igreja de São Lourenço da Várzea e ao centro o Teatro Popular de Niterói às margens da Guanabara.

Ao sul, do outro lado da estrada RJ 104 (a linha vermelha grossa no mapa) está o Morro do Céu, onde fica o lixão da cidade de Niterói, área extremamente degradada. Ao fundo, observando com atenção, é possível ver o esqueleto do prédio que fica embaixo do Parque da Cidade, no Morro da Viração (ampliando a imagem, dá para ver as torres do parque).

Para o leste/sudeste, a cidade avançando sobre a floresta.

Na direção nordeste, a Área de Proteção Ambiental (APA) do Engenho Pequeno, último fragmento de Mata Atlântica do município de São Gonçalo. Uma área verde que resiste à enorme pressão urbana pelo relevo acidentado e cuja preservação é constantemente ameaçada.

Na visão para o norte/noroeste, o fundo da Baía de Guanabara e a muralha da Serra do Mar. Em segundo plano, atrás da folhagem, as casinhas (pontinhos brancos) subindo as encostas dos morros nos limites das cidades de Niterói e São Gonçalo.


* da série "a importância do trabalho ambiental em uma escola municipal"..

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Alfavaca cheiro-de-anis

Esta plantinha obscura foi descoberta por acaso no terreno da EMJB. Provavelmente foi levada por algum aluno, pois estava em um dos vasinhos improvisados no viveiro do ano passado, feito com plantas trazidas de casa. Este ano, o cantinho já estava com mato crescendo e alguns recipientes não furados acumulando água quando resolvi desativá-lo. Foi aí que achei esta espécie, bem pequena, cujo cheiro forte de anis nas folhas revelou uma planta interessante, mas que nunca tinha visto. Nos livros, a espécie de anis que aparece é a Pimpinella anisum L., de folhas diferentes, como cabelinhos. Alguns funcionários disseram que era alfavaca, mas o cheiro era de anis! Como não existia nenhum outro exemplar no terreno e a muda estava bem fraquinha, resolvi levá-la para casa para cuidá-la e pesquisá-la melhor.

E não é que existe uma alfavaca cheiro-de-anis (Ocimum selloi Benth.)! Segundo Lorenzi e Abreu Matos (2002) é uma espécie nativa do sul do Brasil, conhecida também como atroveran ou elixir paregórico (pode ser também a Ocimum micanthum Willd. que ocorre no centro-sul do país com características semelhantes). Planta condimentar e medicinal, suas folhas e inflorescências são consideradas digestivo-estomacais e hepático-biliares, sendo empregadas para eliminar gases intestinais, contra gastrites, vômitos, tosse, bronquite, gripe, febre e resfriado. O chá é muito saboroso, e como nunca vi sementes nem mudas para vender em quiosques e lojas de plantas, essa espécie se tornou rara para mim. Agora, passados alguns meses, a planta produziu sementes, o que vai permitir a sua multiplicação na horta da escola.

Fonte: Plantas medicinais do Brasil nativas e exóticas, de Harri Lorrenzi & F. J. Abreu Mattos. Instituto Plantarum, Nova Odessa, SP, 2002.

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sábado, 1 de agosto de 2009

Lenda de Vila Velha

"Itacueretaba significa "cidade velha de pedras". Este recanto foi escolhido pelos primitivos habitantes para ser Abaretama, "terra dos homens", onde esconderiam o precioso tesouro Itainhareru. Tendo proteção de Tupã, era cuidadosamente vigiado por valentes guerreiros, sob o comando do grande chefe Tarobá, escolhido pelo conselho de anciões guaranis. Todos sabiam há muito tempo, pela fala do pajé, que os tupis inimigos planejavam apossar-se de Abaretama e tudo o que nela houvesse.

A bela índia Nabopê recebera a missão de facilitar a invasão dos tupis, acampados pouco distante no vale do rio Tibagi. Para tanto, deveria ela deixar-se cair prisioneira de Tarobá, contando-lhe o infortúnio de ser banida do seio de seus irmãos por recusar-se casar com um guerreiro inimigo de seu falecido pai. Nabopê fora conduzida até os campos do Cambiju e dali sozinha dirigiu-se ao perigoso destino.

Sob a noite escura, quando os ventos zuniam entre os paredões de Abaretama, Nabopê, temerosa dos maus espíritos, fingiu que estava perdida e começou a gritar por socorro. Sua voz aguda ecoou ao longe, através da solidão fria e silenciosa. Não tardou que um vigilante guerreiro guarani, de guarda num alto penhasco, logo a capturasse, levando-a a seu chefe. A beleza de Nabopê impressionou, como se esperava, os olhos penetrantes de Tarobá.

Durante alguns dias, Nabopê permaneceu sob vigilância na gruta onde se alojava o chefe guarani. Mas com o passar dos dias conheceram-se melhor e daí nasceu um romance de amor.

Ambos foram forçados a esquecer da missão que suas tribos lhes confiaram. O amor, mais forte que o dever, fizera os dois amantes caírem em desgraça perante sua gente.

Irmanados, porém, pelo mesmo afeto, os dois amantes estavam preparados para não sobreviverem, e naquela hora, com a coragem dos deuses em quem acreditavam, beberam juntos uma taça de veneno, a fim de fugir da implacável vingança de ambas as tribos enfurecidas.

Conta a lenda que Tupã, o deus do trovão, em memóra da heróica luta daquele amor profundo, transformou os corpos dos dois amantes em dois penhascos, um maior (Tarobá), outro menor, (Nabopê), ao redor da rocha com forma de taça suicida, para lembrar o fim do trágico romance, entre os vultos de pedra que são os guerreiros mortos.

Abaretama hoje é chamada de Vila Velha, pouco distante das furnas, enormes crateras chamadas de Caldeirões do Inferno, onde desapareceu para sempre, entre estalidos ensurdecedores, o lendário tesouro, que foi diluído pelos raios ígneos de Tupã e levado por um rio subterrâneo, para dourar, pouco além, as águas mansas de uma lagoa, depois chamada de Lagoa Dourada.

Diz a lenda que as pessoas mais sensíveis à natureza e ao amor, quando ali passam, ouvem a última frase de Nabopê: Xê pocê o quê (dormirei contigo)."


Texto retirado de uma peça de artesanato do Parque Estadual de Vila Velha, Paraná (a foto da taça é "clássica" dos livros de Geografia!).

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quinta-feira, 16 de julho de 2009

2009.1

O último dia letivo do primeiro semestre foi um dos melhores do ano na hortinha. Antes das 8 horas essa galera já estava reunida...

As atividades se concentraram nos canteiros onde mudinhas se amontoavam...

Espaço de convivência. Repare nos alunos lá atrás também...

O novo canteiro das cenouras...

O novo espaço das couves...

Barbantes foram amarrados na grade para que o guaco, embolado, possa alcançá-la...

O capim-citronela (da matéria anterior) foi multiplicado...

Uma parada para admirar o fungo...

As lagartas sumiram e a couve está ficando bonita...

Pimentão...

Novidade no almoço: rúcula da hortinha...

Um marco: alimentação também produzida na escola...

A última foto de lá antes das férias.


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terça-feira, 14 de julho de 2009

Citronela (2)

Nesta semana, a garrafa com a mistura de álcool e folhas picadas de capim-citronela finalmente foi resgatada para a 2ª etapa do preparo da tintura. O período de imersão no álcool, quando a garrafa ficou guardada num canto escuro da cantina, é necessário para a extração e a fixação dos princípios ativos da planta. Ontem, o líquido foi coado em papel-filtro e colocado num outro recipiente, com o cheiro forte da citronela impregnado. A tintura tem validade de 2 anos e irá ser testada em borrifadores na escola nas próximas estações, épocas de reprodução dos mosquitos. Veja como foi a 1ª etapa do preparo aqui!

O coador e a garrafa escura...

O papel-filtro depois de coada a mistura...

Contra a luz, a nova substância pura...

Na EMJB ficou guardada a tintura!

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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Almanaque do inverno

Os primeiros dias das Olimpíadas de Inverno 2009 da EMJB foram também dias de atividades com o solo. As mudas do Jardim Botânico (RJ) que sobraram no dia mundial do meio ambiente foram para o lado das salas do 6º ano. Alunos da 3A, 3C e 3F plantaram copaíba (Copaifera langsdorffi)...


Andiroba (Carapa guianensis)...

E deixaram, com a arrumação da serrapilheira e a transferência dos sedimentos das calhas para as jardineiras das salas, o espaço mais bonito e cuidado...

No canteiro interno o solo é bem mais duro. Além da água da chuva cair concentrada ali pela convergência dos telhados, deve ter sido pisoteado por anos, pois era lugar de passagem. Os barbantes agora protegem mais e lentamente o verde vai crescendo...

Com a ajuda de alunos como os da foto acima, da 3A, 3B, 3D e 3E.

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sexta-feira, 3 de julho de 2009

Novos hábitos?

Primeiro a notícia ruim: a intenção é mostrar que ainda há muito por fazer e mudar. A falta de uma composteira não permite reaproveitar todo o lixo orgânico. A experiência do ano passado mostrou que não adianta um buraco para colocar os restos de alimentos, pois virava um lago depois das chuvas e foco de mosquitos. A parte alta do terreno, com boa drenagem, pode ser uma boa opção...

Agora as boas: tudo bem que estamos no inverno e os ventiladores não tem sido muito usados, mas já é comum, principalmente nas salas do 6º ano, vê-los desligados nos horários de recreio e do intervalo dos turnos da manhã e da tarde (veja como era antes aqui e aqui). As lâmpadas não dá para desligar, pois ainda não há interruptores nas salas...

As merendeiras de vez em quando reaproveitam o lixo orgânico espalhando-o na serrapilheira, como cabos de agrião e cascas de batata (na foto com pezinhos de pimenta - veja como era antes aqui)...

A Clin também tem contribuído, limpando o terreno com mais cuidado e fazendo "montinhos" de folhas secas nas mudas das árvores plantadas recentemente (veja como era antes aqui). Como as da foto acima, que ficam em frente às janelas das salas do 6º ano...

Os alunos têm levado plantinhas de casa para a escola, como a Rosiane da 3B, que trouxe várias hoje - acerola, guaco, boldo, hortelã-graúda, erva-de-são-joão... - todas enviadas por sua mãe. Isso mostra que a comunidade local tem um bom conhecimento, cultiva e faz uso caseiro de plantas medicinais. Quais as preferidas?

Uma das mudas - a tangerina - ela deu para a colega de turma Gabrielle (irmã da Michelle (3H), que também já trouxe plantas para a escola). As outras foram plantadas no canteiro interno, em frente à sala de aula, durante o recreio. Assim, vai haver um acompanhamento de perto do desenvolvimento delas. Vamos ver se todas pegam de galho...

A hortinha tem recebido visitas. Como a do Prof. Gustavo, coordenador de Ciências da FME, que curtiu o espaço cultivado, cada vez mais conhecido.

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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Paralisação

Hoje foi um dia de paralisação dos professores da rede municipal de Niterói por melhores salários. Muitas escolas funcionaram normalmente, porque nem todos aderiram à proposta do SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação)/Niterói de paralisar as atividades por um dia (leia informe acima - clique para ampliar). Apenas uns cem profissionais de Educação da rede estiveram presentes na assembléia que aconteceu de manhã no salão nobre do Liceu Nilo Peçanha.

O SEPE/Niterói infelizmente não utiliza o potencial da internet - o meio de comunicação que mais cresce no mundo, o mais rápido e o de maior alcance - para mobilizar as pessoas. Basta ver o papel dela nas últimas campanhas do presidente Barack Obama nos EUA e do deputado federal Fernando Gabeira no Rio, e após a eleição presidencial polêmica no Irã, quando as pessoas foram proibidas de protestar nas ruas. Curiosamente, o Irã é o país que tem mais blogs do mundo (assista o vídeo abaixo).

Melhores salários sim! A valorização do professor é fundamental para uma educação pública de qualidade. Com o salário mínimo indo para 500 reais, o professor de nível superior vai ganhar dois salários mínimos para trabalhar no município. É muito pouco. Hoje, na internet, é comum a circulação de emails, muitos como chacotas, expondo a realidade desanimadora da educação no Brasil. Como a campanha "troque um parlamentar por 344 professores".


Iran: A nation of bloggers from Mr.Aaron on Vimeo.

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