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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Geografia, segundo Francisco Portugal Neves


"Em conversa de macuco, pardal não pode se meter", diz o velho ditado. E quando o macuco na história é o professor Portugal Neves, mais de seis décadas de vida e quase quatro de exercício do magistério, nenhum pardal atreve-se a chegar na periferia: "Esta Reforma que estão pretendendo fazer é uma coisa que fiz há 35 anos, todos os meus alunos lembram-se perfeitamente dos meus métodos".

Sua concepção de ensino chega a contrastar com sua personalidade: um pouco rude nas palavras e nos gestos, gosta do máximo de disciplina e mostra-se um "brasileiro fanático" ("sempre fiz questão de que todos os meus alunos escrevessem Brasil e Deus com letras maiúsculas"), mas fica dócil ao lembrarseus alunos no Mosteiro de Campos, primeira escola onde lecionou.

Seus métodos logo o fizeram ficar conhecido e respeitado como professor de Geografia. Para ele, "o estudo da Geografia não pode ser feito em sala-de-aula e sim na própria terra". Durante os primeiros 15 anos de profissão fez várias excursões com suas turmas, e batalhava junto às autoridades os meios de transporte (navio e avião) e até mesmo estadia: "Os colégios de hoje devem fazer o mesmo, há mais condições atualmente, falta apenas ânimo aos professores e diretores".

Uma de suas aulas mais importantes aconteceu na Ilha de Marajó, para estudantes fluminenses ("o Newton Freire fazia parte dessa turma" - lembra ele"). Conta que a ilha possui 33 quilômetros quadrados de largura, "a gente diz isso em aula, mas não acredita, o fato é que Marajó é maior que o Estado do Rio. E continua: "O rio Amazonas tem 6 mil ilhas e 1.000 afluentes. Olha, a gente pode ver nas Guianas a estrela polar, que guiou os fenícios, é uma coisa linda que pouca gente conhece".

O professor Portugal Neves diz que "não adianta falar muito, o negócio é levar os meninos até lá para verem de perto o que é esse monstro chamado Brasil". Confessa-se um "nacionalista radical" que, certa vez, rejeitou um convite para ir à Europa só porque ainda não conhecia os Estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso. E quando conheceu preparou-se para ir estudar os Incas, na Bolívia, "depois então é que dei chance aos europeus de pisar na terrinha deles". Quando fala do Brasil ele não tem medo de chegar ao exagero: "Já contei para estrangeiros que índio da Amazônia pesca com arpão feito do aço de Volta Redonda, o melhor aço do mundo". E foi para um estrangeiro que não acreditou na conversa, entre ele e um boiadeiro sobre a "bravura do brasileiro", que o professor Neves disse: "Num papo de macuco, pardal nunca se mete, chega pra lá..."

Recentemente ele recebeu um convite para dirigir o Ginásio de Casimiro de Abreu, mas sua saúde o impediu de aceitar a proposição. Daí em diante passou a observar os colégios atuais mais de perto e chegou a uma triste conclusão: "Se não houver dinâmica, a Reforma nunca vai existir; a aula principal de Geografia, por exemplo, é fora da classe, lá dentro é só conversa".

O Fluminense, 27/04/1973. Caderno Encontro, página 7.

"A aula principal de Geografia é fora da classe, lá dentro é só conversa".
Alunos da EMJB no Monte da Oração, Morro do Castro, São Gonçalo (RJ), hoje, 22/08/2012.

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sábado, 1 de outubro de 2011

João Brazil (da série educadores de Niterói)


Ruínas do casarão onde funcionou o Colégio Brasil, fundado em 1902 por João Pereira da Silva em Itaocara e depois transferido para Niterói, onde durou até 1985. O que restou dele - ainda há quadro negro em sala - fica hoje no terreno do condomínio Solar do Barão (a construção do século XIX foi residência do barão de Icaraí) na rua João Brasil, próximo à Alameda São Boaventura, no Fonseca.

"A educação tem que oferecer o braço sempre à instrução". João Pereira da Silva, o João Brazil, nasceu em Nova Friburgo (RJ), em 12 de fevereiro de 1874. Começou a lecionar aos 15 anos e foi fundador e diretor do Colégio Brazil, além de empresário, poeta e benemérito de várias instituições. Faleceu em Niterói, em 6 de maio de 1940.

Há uma pequena confusão sobre a grafia certa do nome, pois em Niterói existe, além da escola, a rua, com 's'. Parece que o Brazil com 'z' foi substituído pelo atual numa reforma ortográfica na década de 40, após a morte do educador. A escola, no entanto, mantém a grafia original desde o final da década de 70, quando foi fundada no Morro do Castro.

Pra mim, o que importa é que o João tinha 14 anos nessa época...

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sábado, 6 de agosto de 2011

Projetos premiados

Projeto dos professores de Educação Física da EMJB Marcelo Vieira e Raphael Awata avalia a massa muscular dos alunos através das medidas de peso e altura. Acima, a Professora Simone (Inglês) medindo a altura do Professor Paulo (Português). Foto: Awata...

Raphael mostra os resultados no telão, com as cores verde (dentro da média), amarelo (no limite) e vermelho (muito acima ou abaixo da média)...

Apresentação do Marcelo na reunião pedagógica da EMJB (foto: Tânia). O projeto foi um dos inscritos no Prêmio @ Educador, promovido pela Fundação Municipal de Educação de Niterói (FME), que contemplou com notebooks e miniprojetores trabalhos de professores da rede...

 A Coordenadora de Mídias e Tecnologias Márcia Romão na cerimônia de entrega do prêmio...

Todos os professores da EMJB que se inscreveram foram contemplados. Acima: eu (com "Alunos, câmera, ação!"), Érica Georgina, a diretora adjunta Glória, Sirlene (Artes), Elaine (Artes) e sua filha, Marcelo - que recebeu menção honrosa - e a diretora Gleice (só faltou a Professora Daratilde (Ciências), licenciada - Força Dara!). Foto de Roberta Monteiro.

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